MVP e a Gestão de Custos em Projetos Ágeis – Parte 1

Olá Pessoas,

Antes de mais nada eu gostaria de agradecer o wordpress, por ceder este espaço para que a gente possa, em alto nível, discutir a gestão de projetos no Brasil… (protocolos e blá blá blás cumpridos, vamos ao que interessa)

Agileland-13c é um pequeno e jovem planeta localizado a cerca de 180 anos-luz da Terra — próximo a constelação de Sutherlands & Schwabers — habitado por seres de altíssimo nível intelectual, que conseguiram experimentar, com êxito, a gestão de projetos de TI utilizando-se apenas do que nós conhecemos aqui na Terra como Scrum Guide.

Lá, por exemplo, os gerentes de projetos deste amistoso planeta, superaram a penosa tarefa de ter que gerenciar e controlar os custos dos seus projetos. Optaram pelo custo fixo por iteração. Infelizmente aqui na Terra, a realidade ainda não é bem esta. Nós terráqueos precisamos, na maioria dos projetos de TI em execução, gerenciar e controlar os seus custos de maneira bastante pragmática, e além disso, precisamos frequentemente reportar e prestar contas sobre a saúde financeira dos referidos projetos, aos seus respectivos sponsors e demais partes interessadas.

Agora faço a você, meu caro leitor, um desafio. (se você ainda não fez o download do Scrum Guide, por gentileza clique aqui)

Abra o Scrum Guide (PDF) e utilizando o poderoso command + F (find) busque pela palavra CUSTO… nada nesta mão, nada na outra… eeeeeee… tcharannmm… encontrada apenas UMA ocorrência com a palavra CUSTO (se você já começou a usar o Scrum em seu projeto, crente de que o Scrum Guide trataria do área de conhecimento custo, você deve estar sofrendo neste exato momento uma crise de flatulência aguda).

Mas calma amigão… muita calma nesta hora! — Se você utiliza Scrum e precisa controlar os custos do seu projeto, este post foi idealizado justamente para tentar te ajudar nesta nobre missão. Agora largue esse tal de Scrum Guide pra lá, e clique em Ler mais para saber o que você deve fazer para não arrebentar com o BAC (Budget at Completion) ou “orçamento” do seu projeto.


A primeira coisa que você deve fazer (se já não tiver sido feito) é definir um MVP. Tá eu sei que você deve estar pensando: “xiiiii lá vem ele com mais uma siglazinha…” — Fique tranquilo meu patrão, darei todas as explicações que você precisa, ok? – Então vamos nessa! — MVP é o Minimum Viable Product, que traduzindo para a realidade do “aqui e agora” brasileiro significa:

A menor parte utilizável de um produto, desenvolvido por um determinado projeto, que uma vez lançada (release) agregaria (imediatamente) retorno de investimento para um determinado cliente (sponsor).

Se os seus botões estão resmungando: “credo… entendi nada!” e o outro: “nem eu…”. Tentarei explicar novamente, agora com um exemplo, para facilitar ainda mais o seu entendimento. Suponha que o escopo macro do seu projeto seja Desenvolver um Aplicativo Móvel para chamar um Táxi. Pensando nas trocentas funcionalidades que você poderia desenvolver, qual é o mínimo de funcionalidades que você teria que implementar para que a primeira versão (lançamento) do produto agregasse valor para o seu cliente? – Para ajudar, elenquei algumas funcionalidades em potencial:

MVP

Note que as funcionalidades que aparecem até a palavra Release, formam o MVP; ou o Produto Mínimo Viável do seu projeto, que, se, por decisão de negócio fosse lançado, iniciaria imediatamente o retorno do investimento (ROI).

Uma vez definido o MVP, permitir-se-á, então, que você controle os custos do seu projeto sem enfrentar maiores dificuldades. Para isso, porém, é preciso conhecer algumas técnicas que podem ser encontradas no PMBOK Guide (#ChupaScrumGuide), mais precisamente na parte que trata do Gerenciamento dos Custos do Projeto (pág. 215).

Se você ainda não possui esta Bíblia do Gerenciamento de Projetos, que diferente da Sagrada, custa um pouco caro (cerca de R$160 reais), não esquente sua cabeça… o titio aqui vai te mostrar, de uma maneira muito prática, como utilizar o famoso Gerenciamento de Valor Agregado (Earned Value Management).

Pois bem… como agora seu projeto já possui um MVP, criando a partir daí uma importante entrada para o Planejamento da Release, precisamos agora saber, qual é a velocidade do seu time para consolidarmos um plano factível.

Suponha, então, que analisando o histórico* da velocidade do seu time, verificou-se uma média de 3 estórias de usuário (funcionalidades) entregues (prontas) por sprint de 2 semanas. E que as funcionalidades que compõem o seu MVP, ou seja, aquelas 4 estórias** ou funcionalidades listadas até a palavra release, serão granularizadas em estórias menores (para facilitar a implementação) formando 12 novas estórias.

(*) se não houver histórico da velocidade do time, pelo fato, por exemplo, de ser um time novo; o que nos resta é estimar analogamente com base na experiência.

(**) não está de acordo com o modelo <PARA QUEM> <O QUÊ> <PORQUE>

Passamos, então, a ter o seguinte cenário:

SE temos 12 estórias para deixar prontas até a release, E SE temos uma média de 3 estórias entregues por sprint de 2 semanas, LOGO temos que dividir o total de estórias que precisamos concluir até a release, pela média de estórias entregues (prontas) por sprint. Agora pare, e pense! – A operação abaixo faz sentido para você? (se tiver dificuldade em concluir este raciocínio, dirija-se até a padaria mais próxima de sua casa e peça ajuda ao padeiro de sua confiança)

  • 12 / 3 = 4 (doze dividido por 3 é igual a 4)

Com base neste cálculo, podemos concluir que a primeira release acontecerá (se tudo der certo), daqui a 4 sprints ou 2 meses (sprints de duas semanas).

Tranquilo até aqui? Fácil né?!

Legal, mas imagino que a esta altura você esteja se perguntando: “caramba e o tal de gerenciamento de valor agregado que ele comentou… será que ele esqueceu?” — Não queridão, não esqueci não… acontece que para gerenciar o valor agregado de um projeto precisaríamos minimamente de um plano, (planejamento da release por exemplo) baseado na velocidade do time (média de estórias prontas por sprint) e no MVP; e precisaríamos ainda, das estimativas de custos diretos que incidirão sobre o projeto.

Basicamente tudo o que vimos até agora, com exceção das estimativas de custos diretos que ainda iremos levantar.

Agora meus queridos sem querer interromper o coito, mas já interrompendo… peço licença para encerrar este post por aqui, até para não deixá-lo cansativo demais, com a promessa de continuar em breve, a 2ª e última parte, trazendo enfim o como faremos o levantamento e as estimativas dos custos diretos que incidirão sobre o seu projeto e o como gerenciaremos, a partir daí, o famoso valor agregado.

Em tempo: Se o PMO da sua empresa já solicitou o reporte do seu projeto contendo os indicadores de desempenho de custo (IDC), e você estiver aguardando desesperadamente pela 2ª e última parte deste post, recomendo fortemente que você peça férias de 15 dias, em caráter de urgência urgentíssima, para que assim ganhemos tempo, você e eu.

Saudações. Ψ

4 comentários em “MVP e a Gestão de Custos em Projetos Ágeis – Parte 1

  1. Pingback: MVP e a Gestão de Custos em Projetos Ágeis – Parte 2 (Final) | Café com o Scrum Master

  2. Excelente post, esclarece bem o conceito de mvp, este tema esta muito em alta no momento e com certeza é um conceito muito importante. Eu só não consegui encontrar informações sobre a origem do termo ou trabalhos mais acadêmicos como publicações cientificas, se você tiver algo para compartilhar eu ficaria grato.

    Curtido por 1 pessoa

    • Oi Leandro, muito obrigado pelo feedback e desculpe a demora em responder… concordo que MVP é um tema que está em alta e aliás é um tema que tem provocado bastante discussão na comunidade sobre o que seria de fato um MVP. Posso te indicar um livro bem legal, A Startup Enxuta do Eric Ries, que explora este assunto apresentando inclusive algumas referências bibliográficas adicionais. Tenho ele em PDF, se houver interesse, posso te mandar o link do meu dropbox para download… Abraço, boa sorte e continue visitando o blog 😉

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