Presidenta Dilma, um Backlog seria um bom começo…

Olá Pessoas,

Antes de mais nada eu gostaria de agradecer o wordpress, por ceder este espaço para que a gente possa, em alto nível, discutir a gestão de projetos no Brasil… (protocolos e blá blá blás cumpridos, vamos ao que interessa)

Carta (post) aberta à Presidenta da República Dilma Rousseff

Excelentíssima Senhora Presidenta da República,

Muito se tem falado em setores da “grande mídia” que o Brasil está vivendo uma grave “crise” político-econômica. A administração das contas públicas está em colapso, déficits crescentes no orçamento, aumento no nível de desemprego, inflação acima da meta (inflation targeting) e sintomas crônicos de estagflação, caracterizado tecnicamente pelo aumento do desemprego e pela queda no nível de atividade econômica, leia-se recessão. Contudo, a real medição da gravidade e dos efeitos desta “crise”, compete a cada um de nós, brasileiros, fazê-la, tomando como referência a melhora ou a piora da qualidade de vida. Felizmente, na formação íntima e consciente desta convicção, não há como a “grande mídia” interferir.

A sensação que tenho, é que nem todas as pessoas compactuam do mesmo pessimismo visto nos principais hebdomadários brasileiros. Por outro lado, porém – e aqui falo com um pouco mais de propriedade – vivemos uma aguda crise, sem precedentes, de cunho moral e intelectual. E isto sim, na minha opinião, é um grave problema.

No Brasil tudo se discute, menos o que realmente importa. Explico. A Rádio Bandeirantes, por exemplo (líder de audiência) veicula em parte do seu horário nobre (das 18h às 22h), programas sobre futebol. As primeiras duas horas, com humor e as outras duas, com debates.

Pergunto: Será que ocuparmos um espaço importante como este, para discutirmos por 4 horas um tema, que gosto, mas que julgo ser irrelevante ao país, fará com que resolvamos os nossos desafios? Sinceramente, não creio!

Ainda sobre a ausência de discussão, proponho que façamos, a senhora e eu, um breve exercício. Se por uma semana, ligarmos nossas TVs no canal aberto, lermos os principais jornais e revistas do país ou ainda ouvirmos uma rádio de grande audiência… ao final desta semana, com 200% de segurança vos digo; teremos sido expostos basicamente a 3 assuntos: Futebol, Novelas e Corrupção.

Com tantos problemas que precisam ser discutidos e solucionados, será que o Brasil pode se limitar a discutir somente estes três assuntos? Novamente, não creio.

Angustiado, faço a leitura deste cenário com bastante preocupação. Vejo que com esta estupidificação em massa, à pleno vapor, certamente não aguentaremos arcar com o alto custo de sermos um país emergente, não conseguiremos eliminar os GAPs alarmantes nas nossas infraestruturas, não evitaremos o iminente racionamento de energia, não reverteremos o fatídico quadro de falta de mão de obra qualificada e enfim… não teremos êxito em salvar nossas empresas do fogo cruzado promovido pelo competitivo mercado global.

Pensando em tudo isso, venho matutando formas de auxiliar o Brasil a superar esta “crise” e quem sabe, retomar o crescimento. E, partindo de um compilado de ideias que me surgem diariamente, aliado aos problemas que enfrento cotidianamente no ambiente corporativo, decidi escrever-lhe esta carta/post.

Antes de tudo, e imagino que isto não seja nenhuma novidade, o Brasil necessita urgentemente de um projeto. Um projeto que consiga avaliar o “as is” (como é) e planejar o “to be” (como será).

Mais ou menos como fizeram os sul-coreanos… que, há 40 anos, não produziam uma calculadora sequer, e hoje, possuem uma pujante indústria automobilística (Hyundai, Kia, Ssangyong e Kasinski) e uma competitiva indústria de eletrônicos (Samsung e LG) ambas com capacidade de concorrer globalmente com as gigantes indústrias norte-americanas e japonesas

Em outra palavras… precisamos:

  1. Avaliar como está a casa (qual é a real situação atual do Brasil)
  2. Criar uma visão de futuro (como gostaríamos de estar daqui um certo tempo)
  3. Criar um plano que responda a esta visão de futuro (planejar tudo o que é necessário para que esta visão de futuro se torne realidade)
  4. Executar o plano (mãos à obra)

Daqui em diante, tomo a liberdade de, oportunamente, apresentar-lhe algumas dicas sobre “o que fazer e como fazer”, que acredito ser um setup inicial na arrumação da casa.

Rapidamente, e isto é o que precisa saber por enquanto, algumas destas dicas foram extraídas de um framework (modelo) de gestão ágil de projetos, chamado Scrum, o qual está assentado sobre 3 pilares: Transparência, Inspeção e Adaptação. – Tudo o que o Brasil mais necessita neste momento. Avancemos.

1) Crie uma lista (Backlog) de tudo o que é necessário fazer

Tudo o que é necessário fazer em um projeto, nós chamamos no Scrum de Backlog. Traduzo. Uma lista ordenada e priorizada por ordem de importância (valor), a qual servirá como insumo principal de todo o ciclo de vida de um projeto. Exemplo:

  1. Modernizar o sistema de ensino (alta prioridade)
  2. Melhorar a Saúde
  3. Reformar o Sistema Previdenciário
  4. Atrair mais Investimentos Externos
  5. Provisionar verbas para o PAC
  6. Investir em Ciência e Tecnologia
  7. etc… (baixa prioridade)

Sugeri a Educação (modernizar o sistema de ensino) como item mais importante e prioritário, porque além de acreditar fortemente nisso, o lema do seu segundo governo é: Brasil Pátria Educadora; e acredito que esta seja também sua prioridade.

2) Reúna o seu Time de Ministros e planejem!

Convoque o seu time de ministros e peça a eles para formularem um plano macro, que melhore a situação de suas pastas, em no máximo 15 dias. Ao final deste prazo, espere ver, por exemplo, um plano para a Educação que contemple os itens abaixo (Backlog da Educação):

  1. Melhorar a qualidade do ensino básico;
  2. Melhorar a remuneração dos professores;
  3. Investir e melhorar a infraestrutura das escolas;
  4. Capacitar os professores da rede de ensino público…

O mesmo deverá acontecer com os demais ministérios. Caso não aconteça, não hesite em promover substituições no seu time de ministros, mantendo é claro, o respeito e a cordialidade; descartando, porém, eventuais conveniências políticas.

3) Equilibre receitas e despesas e repriorize sua lista de coisas a fazer (Backlog)

Sei que a maioria dos governantes dos países ditos emergentes, não dispõem de recursos ilimitados. Por isso é necessário extrair o máximo dos recursos disponíveis.

Dito isto, posso já imaginar o incomodo que se estabelece em sua mente, qual seja: “tá bom, os planos serão apresentados mas, onde estão os recursos (dinheiro) disponíveis para executá-los… como faremos tudo isso, se estão previstos déficits no orçamento de 2016?”

Pois é, te digo que com um pouco de coragem, tudo se ajeita… inclusive falta de grana! (obs: coragem é um dos valores do XP) 😀  – Uma vez que concordamos que a falta de grana, passou a ser a prioridade-mór – pois sabemos que não existe almoço de graça – este item passará a figurar, sine qua non, no topo da sua lista (Backlog) como sendo de altíssima prioridade. Superado este entendimento, retomo o fio inicial… :mrgreen: 💡

Analisando o SIGA do Sendado Federal, verifiquei que de janeiro de 2015, até o instante em que escrevia esta carta/post (novembro/15), o Tesouro Nacional já havia executado o pagamento de 956 bilhões com “b” de bola (quase 1 trilhão, com “t” de tatu) de juros, encargos, amortização e refinanciamento da dívida pública. (coluna Pago, somar o GND 2 + GND 6)

Screen Shot 2015-11-20 at 3.07.31 PM

LOA 2015 – Execução Orçamentária por Grupo Natureza de Despesa – GND

Ora Presidenta, respeitosamente, insisto em indaga-la:

Qual é o histórico desta dívida? O que recebemos em troca para contraí-la (contrapartida)? Conseguiremos paga-la por mais quanto tempo? Há alguma coisa que possamos fazer para renegocia-la, sem ficarmos com a pecha de caloteiros?

Mais além… o que justificaria destinar 45% do orçamento ao pagamento dos juros da “dívida” e parcos 3% à Educação, e outros pífios 3% à Saúde dos brasileiros?

Fazendo uma comparação tosca, mas necessária… o montante de dinheiro que o Tesouro Nacional colocou à serviço da dívida, só neste ano de 2015, equivale a todos os desvios da Petrobras ocorridos nos últimos 10 anos, multiplicado por 50. Repito. Destinou-se ao pagamento de uma única despesa corrente (juros da dívida) em um único ano (2015), TUDO o que foi desviado da Petrobras em 10 anos (20 bilhões) multiplicado por 50.

Francamente, os desvios ocorridos na Petrobras são lamentáveis, e merecem punições severas… (e sei que concorda com isso), mas porque não degustamos diariamente a “grande mídia” dar pelo menos 10% da atenção que é dada aos escândalos de corrupção, à esta montanha de dinheiro que todos os anos, nós brasileiros, por intermédio dos impostos pagos, transferimos ao sistema financeiro?

Isso não lhe causa estranheza? Quais são as forças que estão por trás disso?

Sabemos que só há um meio do Brasil sair desta “crise”. Promovendo sólidos INVESTIMENTOS na INDÚSTRIA e em EDUCAÇÃO. Mas como investir, se o governo federal paga quase 1 trilhão de reais de juros e amortização da “dívida” pública – que tem um estoque central de 5 trilhões de reais – se todo o orçamento (receita) da União é de cerca de 3 trilhões de reais???

Analogamente é como se um profissional que recebesse mensalmente um salário de 10 mil reais – e para manter este salário, ele precisasse (além de arcar com suas despesas pessoais) fazer cursos de idiomas, MBAs, cursos de especialização e promover demais investimentos em sua carreira – pagasse de juros de uma “dívida” quase metade do seu salário. Me parece ser esta, uma lógica perversa e impraticável, concorda?

Se temos clareza que atualmente, os recursos do país estão sendo drenados por dois fenômenos: 1) A corrupção e 2) O excesso de despesas; e, sabemos que o primeiro – presente lamentavelmente desde 1500 no Brasil – não é simples de se resolver… não seria então, este, o melhor momento de, como chefe da nação, virar o jogo, indo à TV – em rede nacional – e de forma transparente mostrar, didaticamente aos brasileiros, para onde está indo grande parte do seu dinheiro?

Será que só este movimento já não ajudaria os brasileiros a entender que, reduzir as despesas do orçamento é possível sem ter que prejudicar os mais pobres e os trabalhadores? – Fazendo um continha primária… se ao invés do Tesouro pagar quase 1 trilhão de reais por ano, de juros da dívida, pagasse metade disso (que já é uma montanha de dinheiro estratosférica), sobraria nos cofres públicos, aproximadamente, 500 bilhões de reais… ou seja, 5 vezes o valor que o governo federal precisa para eliminar o déficit nas contas públicas; que para tanto, está espetando contra as costas da maioria do brasileiros este draconiano ajuste fiscal… olha aí, tá vendo?!

Enfim Presidenta, deixo estes questionamentos para reflexão, e a certeza de que soluções existem para o Brasil; a democracia a colocou no comando do país, para que tais soluções fossem apresentadas e implementadas.

Agora, se quiser voltar para casa em 2018 – com a consciência tranquila – sabendo que se pelo menos não melhorou o Brasil, não o deixou pior do que encontrou… um Backlog seria um bom começo.

Um abraço, muita força e coragem… e boa sorte. Ψ

 

 

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