Professional Agile Leadership (PAL I), a nova certificação da Scrum.org

Olá Pessoas,

Antes de mais nada gostaria de agradecer o WordPress, por ceder este espaço para que a gente possa, em alto nível, discutir a gestão de projetos e produtos, a agilidade e demais assuntos no Brasil… (protocolos e blá blá blás cumpridos, vamos ao que interessa)

Recentemente a Scrum.org lançou mais uma certificação relacionada ao framework Scrum (e a agilidade) denominada Professional Agile Leadership I (PAL I). Esta certificação (e o treinamento relacionado) tem como objetivo principal testar o conhecimento do C-level e da gestão sênior acerca dos valores e princípios ágeis, bem como das regras contidas no framework Scrum.

Resumidamente… a urgência em disponibilizar treinamentos (e certificações) direcionadas a este público (C-level, líderes e etc) se deu 1) pelas barreiras enfrentadas pelos intrépidos change agents que, ao levarem a mensagem estarrecedora de que no tal do ágil nem tudo são flores sofriam (e ainda sofrem) despudorada pressão para que, independente de qualquer coisa, façam chover e 2) facilitar o entendimento do board acerca dos benefícios da abordagem ágil, sensibilizando, todavia, que, para que estes benefícios sejam colhidos, se faz necessária uma profunda mudança cultural. Em se tratando de ágil, a raposa precisa (obrigatoriamente) perder o pêlo e perder a mania.

Neste sentido os “agile thinkers” residentes na América (do Norte) — sempre se antecipando aos lucrativos movimentos do mercado — e inspirados pelo clima favorável nos ares de Pindorama, rapidamente formataram um treinamento (e uma certificação) com foco nas lideranças das organizações a fim de consolidar a tal transformação ágil-organizacional. Afinal, estando os membros do board engajados as chances de sucesso do processo de transformação aumentam consideravelmente. (quem minimamente já se meteu com esse troço sabe muito bem que o top-goela-down conta… e muito)

Overview do Profissional Agile Leadership – Essentials (PAL-E)

PAL-E courses

PAL-E course

O treinamento Professional Agile Leadership – Essentials tem como proposta os seguintes tópicos:

  • Teorias e princípios
  • Melhorando a entrega de valor
  • Valor – “O que?”
  • Cultura – “Quem?”
  • Profissionalismo – “Como?”
  • Escalando o ágil

Além disso as principais mensagens que o treinamento endereça ao corpo decisor é:

1) “AGILE trata-se de uma mudança cultural, e não apenas de um conjunto de eventos” (reuniõezinhas).

Explico. Na fase inicial da adoção ágil, a ansiedade em se obter resultados rápidos muitas vezes desenvolve-se um ambiente intrincado e é justamente nesta fase, onde o “follow the rules” deve ser aplicado, que o C-level — encantado com a proposta comercial do “faça o dobro do trabalho na metade do tempo” — ao se deparar com as dificuldades inerentes a qualquer processo de mudança, passa a atrelar indevidamente a abordagem ágil a um conjunto de reuniões. Este sentimento fica ainda mais evidente quando a discrepância entre a promessa e a entrega de valor real, ganha forma. Neste cenário crítico, somente uma profunda reflexão conjuntural (mudança de cultura) é capaz de garantir o avanço da iniciativa.

2) “INSPEÇÃO e ADAPTAÇÃO é o principal mecanismo para uma efetiva mudança cultural e para a melhoria dos resultados”.

De nada adianta o C-level, de olho nos volumosos bônus do fiscal year vigente, avalizarem determinada iniciativa ágil e, seis meses depois, retornarem de suas caixinhas de pandora cobrando magicamente os resultados positivos. O choque na mudança cultural deveria conscientizar o C-level que A) inspecionar e sentir o “calor da gemba” é crucial para o sucesso da iniciativa pois, esta é a maneira mais efetiva de se entender na prática a densidade dos sistemas adaptativos complexos e B) se adaptar a gestão do “corta custo” (custe o que custar) é o que proporcionará resultados positivos no médio e no longo prazo.

3) “A META deveria ser melhorar os resultados por intermédio da inspeção e adaptação e não apenas pela implementação do ágil”.

É muito comum, hoje em dia, nos depararmos com organizações que implementam o Scrum, por exemplo, porque está na moda. Tais organizações, muitas vezes, mal chegaram a conclusão da causa raiz dos seus problemas… e sem, minimamente, patrocinar um assessment para entender que tipo de problema se deseja resolver ou ainda, validar o porque utilizar este ou aquele método… mergulham de cabeça nas águas turvas da agilidade sem fazer uma reflexão do que é, para elas, ser ágil. Neste caso, abrir mão da experimentação e da melhoria contínua fragilizará dramaticamente as bases do processo de transformação e os resultados apresentados se tornarão indesejáveis

4) “FRAMEWORKS proveem apenas a sustentação para a jornada ágil”.

O que precisa estar claro aqui é que pouco importa o framework ou o método que o board, por esta ou aquela razão, decidiu bancar politicamente dentro da organização. Se não houver um entendimento consistente da natureza complexa que é lidar com pessoas, produtos emergentes e a ameaça competitiva… organizações, CEOs (e o bônus) continuarão falhando miseravelmente nesta empreitada.

Por dentro da certificação Professional Agile Leadership I (PAL I)

Mais detalhes da certificação podem ser vistos na área de certificações do site da Scrum.org, de todo modo apresentarei a seguir alguns pontos relevantes:

  1. Nos 60 minutos previstos para fazer a prova… há tempo de sobra para responder as 36 questões (prolixas), revisar as marcadas e ainda escalar o time no Cartola FC;
  2. Embora a Scrum.org não tenha feito a recomendação formal, acredito ser interessante praticar o Nexus Open pois, como a prova contempla algumas questões de Scrum escalado, é importante ter familiaridade com este assunto.
  3. Da preparação sugerida pela Scrum.org acredito que — tendo uma boa base do framework, dos valores e princípios ágeis e tendo pelos menos a certificação PSM I — ler os artigos indicados (blogs and articles) seja mais que o suficiente.

Scrumorg-PALI_certification-1000

Highlights para a certificação PAL I

Para aqueles que transitam nas diferentes estruturas das organizações, carregando consigo a bandeira da agilidade e, eventualmente, se sentirem motivados e/ou desafiados a buscar esta certificação compilei algumas dicas-amizade com o intento de dar meus 2 centavos de contribuição para o sucesso neste desafio, a saber:

  • Cerca de 90% das questões pedirá para você ESCOLHER A MELHOR RESPOSTA. Esta característica traz uma certa complexidade e é aqui onde são exploradas as pegadinhas (pra quem não leu este post, óbvio) 🙂
  •  O Product Owner em um Time Scrum, é sempre a autoridade máxima. Ninguém, absolutamente ninguém, poderá de maneira monocrática alterar a ordem de priorização do Product Backlog. (terão algumas perguntas com uma longa e sedutora historinha tentando te convencer do contrário, abra o olho!)
  • Os benefícios da abordagem ágil NUNCA está (para a prova) no aumento da produtividade/velocidade do Time de Desenvolvimento. Isto poderá acontecer, e será bem vindo… mas o foco do ágil não está no aumento de produtividade. 😉
  • A melhor estratégia para formar times multidisciplinares é por intermédio da auto-organização (grifo, negrito e caixa alta no AUTO). Os times não deveriam precisar dos gestores para dar pitaco na sua formação.
  • Ingerências do board e da gestão sênior num Time Scrum NUNCA são bem vindas. Priorização de atividades, definição de metas e etc estão fora de cogitação… em contrapartida, colaboração e remoção de impedimentos por parte dos gestores mostram um elevado grau de maturidade.
  • Independente do que esteja acontecendo… o timebox da Sprint é sempre FIXO. Aliás aproveito para relembrar que a Sprint é o único evento que não pode ser encerrado antes de expirar o timebox. Se o Product Owner por algum motivo, muito nobre, não cancelar a Sprint, ela deve se estender por todo o timebox previsto.
  • A maneira mais efetiva do board engajar Times Scrum iniciantes é 1) explicando os objetivos da iniciativa ágil e o que os clientes e key users esperam dela; 2) deixando claro como o sucesso será medido e 3) provendo os mecanismos necessários para a transparência fluir.

Concluo. A meu ver é oportuno ressaltar que, tanto a certificação quanto o treinamento se apresentam como um instrumento adicional, de grande utilidade, no auxílio às organizações que estejam experimentando a tal transformação ágil. Treinamentos, workshops e certificações destinadas a sensibilizar os gestores, líderes e tomadores de decisão são de fundamental importância para que os impactos da mudança sejam minimizados e para que a iniciativa seja exitosa.

Saudações! Ψ

Em tempo: não é de hoje que o blog anda meio sem atualizações… e sem querer me desculpar mas já me desculpando, confesso estar bem atarefado ultimamente. Contudo, em consideração as pessoas que diariamente visitam e se inscrevem neste blog, tentarei subir alguma atualização pelo menos uma vez por mês.

Embora estejamos em época de campanha eleitoral, prometo não ficar só na promessa! 🙂

5 comentários em “Professional Agile Leadership (PAL I), a nova certificação da Scrum.org

  1. O cara que criou o Scrum tem um livro com título “fazendo o dobro na metade do tempo” e ai no curso é dito que scrum não é para aumentar a produtividade? Vende uma coisa e entrega outra?

    Produtividade não é só fazer a mesma coisa mais rápido, mas quando você faz a coisa certa, automaticamente você aumenta a produtividade porwue diminui desperdícios.

    Pode me ajudar com essa lógica de que o Scrum não é para aumentar a produtividade?

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    • Opa boa tarde!
      Grato por visitar o blog e pelo comentário.

      Na verdade não tem muita lógica para entender aqui. O que escrevi foi: “…mas o foco do ágil não está no aumento de produtividade.” Isto foi escrito com base no entendimento do “outro cara” que criou o Scrum. Isto posto, se pra você o FOCO da abordagem ágil é o aumento de produtividade, sem problemas!

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