Os Top Five mimimis que li e ouvi nas rodas agilistas em 2016…

Olá Pessoas,

Antes de mais nada eu gostaria de agradecer o WordPress, por ceder este espaço para que a gente possa, em alto nível, discutir a gestão de projetos no Brasil… (protocolos e blá blá blás cumpridos, vamos ao que interessa)

CONSIDERANDO que atualmente trabalho (na prática) com ao menos um método ágil.

CONSIDERANDO que já passei por pelo menos 3 empresas (de startup à grande porte) atuando como Scrum Master, Agile Coach ou Agile Project Manager (tendo sido, inclusive, registrado em carteira como Scrum Master). 😉

CONSIDERANDO que trabalho há 1 ano e meio em uma consultoria especializada em métodos ágeis (consultoria e treinamento).

CONSIDERANDO que recebo feedbacks constantes de profissionais, com larga experiência em métodos ágeis, que acompanham de perto o meu trabalho.

CONSIDERANDO que participo de pelos menos 5 grupos de debates e discussões sobre métodos ágeis, que reúnem vários agilistas dos mais variados níveis de conhecimento e expertise.

CONSIDERANDO AINDA que, embora tenha muito a aprender, acredito que hoje, meus conhecimentos são de nível intermediário, estando um pouco mais próximo dos avançados do que dos iniciantes.

POSTULAREI o direito institucional — garantido pelos 12 princípios e pelos 4 valores declarados no Manifesto Ágil — de elencar os TOP Five mimimis das rodas agilistas, que li e ouvi durante o ano de 2016. 😎

Nota: qualquer discordância com o conteúdo deste post, será taxativamente considerado um mimimi. 😇

Vamos nessa!?

Top 5: “ain… não chame pessoas de recursos (humanos)”

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Salvo melhor juízo, este mimimi nasceu da, moribunda e fora de moda, rivalização entre o ágil e o waterfall. Costuma-se, na gestão tradicional, referir-se aos profissionais (pessoas) alocados em um projeto, como recursos (humanos), e, sinceramente, dado o contexto, não vejo problema nenhum nisso.

Até a Microsoft, que se utiliza de práticas ágeis nos seus processos de desenvolvimento de software, definiu, em sua principal ferramenta de gerenciamento de projetos — O MS Project — que pessoas são denominadas recursos de trabalho. Desta forma, não fica difícil imaginar no parafuso de piração que entraria um profissional de projetos — após ter passado, por exemplo, os últimos 5 anos de sua vida alocando e desalocando recursos de trabalho (pessoas) no Project — se este fosse repreendido por referir-se indiretamente à uma pessoa, como um recurso. Francamente. Nem justo isto seria. Contudo, pergunto aos meus botões, será que as pessoas que se incomodam tanto quando alguém é chamado de recurso (humano), já se deram conta de que o departamento que cuida de gente, na grande maioria das organizações, é conhecido como Recursos Humanos?

Mais além… será que a preocupação destas pessoas se estende a como os profissionais são, verdadeiramente, tratados em uma organização ou se restringe, apenas, a como eles são chamados?

Digo isto porque existem empresas que se referem às pessoas como pessoas, mas as tratam como recursos (no sentido mais pejorativo da palavra) e existem empresas que se referem às pessoas como recursos, mas as tratam como pessoas.

“Em nossa empresa, ninguém é chamado de recurso… cobramos apenas que as pessoas façam exaustivas horas extras, optamos por terceirizações e preferimos substituir pessoas à dar feedbacks…” — disse o gestor que repila pessoas serem chamadas de recursos.

Você sabia que em órgãos públicos não existem RHs? Em empresas públicas, onde há a tisna de que funcionários são tratados de qualquer jeito, o departamento que cuida de gente, geralmente é conhecido como Seção de Pessoal.

Pois é. Portanto, queridos (as), antes que a incoerência bata à porta, não se esqueça que você ainda será entrevistado por muitos RHs (Recursos Humanos), que ainda, este ano, o RH de sua empresa atenderá ao seu pedido de férias e que ficar advertindo pessoas que chamam outras pessoas de recurso, sem ao menos garantir que em sua empresa, as 12 questões de Gallup some 30 pontos no acumulado… não passa de um contraditório mimimi.

Top 4: “ain… quantos cargos novos que estão inventando”

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Realmente, dando uma navegada no LinkedIn é possível perceber uma quantidade enorme de cargos novos… cargos, aliás, que eu nem imagino o que sejam ou quais as suas atribuições. E para incrementar ainda mais o garbo e a elegância do cargo, ele é escrito em inglês. Entretanto, quando vejo pessoas se preocuparem com isso, e acredite, até escreverem “artigos” sobre… fico me perguntando, qual é a relevância que um tema como este tem para o desenvolvimento profissional? O que isso agrega para o debate? — E aqui não quero levantar barreiras e ditar o que cada um deve, ou não, escrever e comentar… mas é lamentável ver pessoas que se dizem tão capacitadas, perderem tempo com tamanha bobagem — Supondo que você decidiu colocar no seu perfil do LinkedIn, currículo ou cartão de visita, um nome exótico em uma de suas experiências. Pergunto. O que tenho a ver com isso? Respondo. Absolutamente, nada.

Só faria sentido me preocupar com isso, talvez, se eu fosse o responsável por contratar pessoas em uma empresa e recebesse, em um processo seletivo, alguém com um cargo em seu currículo, que para mim fosse desconhecido. Minimamente eu perguntaria o que vinha a ser aquele cargo, quais eram suas atribuições e o porquê esta pessoa se intitula (ou se intitulou) como tal… exposto isso, se você não se encaixa nesta situação, se preocupar com o cargo e com as experiências alheias não passa de um grosseiro e impertinente mimimi.

Top 3: “ain… isso que você tá fazendo não é ágil”

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Não existe nada melhor na vida do que alguém perceber, por si só, que existem formas melhores de se fazer algo que vinha sendo feito até então. O empirismo, que aliás é base de alguns métodos ágeis, estimula o aprendizado com o passado. De nada adianta, você, sem tomar o mínimo conhecimento de como funciona a cultura organizacional de uma determinada empresa, sair por aí dizendo que ela é ou não ágil, ou que usa bem ou não o ágil.

Certamente, se uma organização está fazendo mau uso das ferramentas ágeis, ou desconsiderando os conceitos e a cultura envolvida — e sabemos que há organizações que fazem isto — a conclusão que chego é que ela é a única a sair perdendo. Ponto final. O mau uso das práticas e ferramentas disponíveis fará com o que os ganhos esperados sejam nulos ou quase nulos.

Por outro lado, imagino que esteja se passando em sua cabeça o seguinte: “Ah, mas as empresas que fazem mau uso do ágil, colocarão a culpa nele, pelos resultados (negativos) obtidos…”. Registre-se outro mimimi. Desculpe, mas as empresas não farão isso. Até porque as empresas podem ser o que for, mas não são tolas. É muito mais fácil elas, empiricamente, buscarem formas de adaptar o uso do ágil e refletirem um pouco mais sobre os seus fundamentos, do que saírem, na contramão, bravateando que o ágil não funciona. De todo modo, se você não é o responsável por ajudar uma organização que esteja eventualmente passando por um momento de aprendizado… criticar o uso do ágil, ou seja lá o que for, é um mimimi sem precedentes.

Top 2: “ain… certificações não servem para nada”

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Se tem um assunto que conquista (e abala) mentes e corações, este assunto é certificação. É impressionante como um pedaço de papel (ou um arquivo PDF) tenha se tornado num agente gerador de tantos conflitos, polêmicas e discussões. Nos debates, comunidade afora, percebe-se claramente aqueles que possuem alguns títulos e os defendem com unhas e dentes, e aqueles que não possuem e criticam o papel com invejável veemência.

Fato é que se você possui alguma certificação e vê vantagem em tê-la, que siga o enterro. Continue sua caminhada e não se preocupe com os críticos de plantão. Por outro lado, se você não tem nenhum título e não vê valor em tê-los, te direi o mesmo, afinal, o sol continuará brilhando a todos… com ou sem certificação. Se faz necessário considerar, porém, que, certificação é uma criação do mercado para o mercado. Deste modo recomendo que você avalie, frequentemente, se elas devem ou não fazer parte de sua trajetória profissional. E para me manter, ou pelo menos tentar me manter, na imparcialidade sobre este assunto, darei a você 3 razões para se incentivar a buscar por certificações e 3 razões para deixar essa baboseira de certificação de lado.

Razões para buscar por certificações:

  1. Ao buscar por uma certificação, seja ela qual for, é necessário, no mínimo, um estudo sobre os assuntos que serão abordados por ela. Portanto, quando se estuda, via de regra, passa-se a conhecer mais… e por consequência, torna-se num profissional melhor.
  2. O mercado, o qual todos nós somos submetidos, passa a reconhecer o desejo que você tem em se reciclar e em aprimorar seus conhecimentos, utilizando, inclusive, os instrumentos por ele (mercado) criado.
  3. Não se perde nada além de “tempo” e “dinheiro” ao buscar por uma certificação. Nunca ouvi falar que uma pessoa, por carregar consigo título demais, não fora contratada, ou se prejudicara de alguma maneira no mercado de trabalho.

Razões para deixar essa baboseira de certificação de lado:

  1. São, por regra, bem caras. A maioria das certificações têm seus custos em dólar e algumas exigem que se passe por um treinamento (pago). Além disso, para algumas certificações, há a exigência de manutenção que não costuma ser de graça.
  2. Já que se criou um mercado em torno das certificações, há apenas um meio de desfazer esse mal (partindo da premissa que isso seja um mal): não se submetendo a ele. Portanto, se eu não concordo com este mercado, não convém fomenta-lo.
  3. Certificações, por si só, não comprovam que uma pessoa possui conhecimento na prática sobre um determinado assunto. Portanto, sua relação custo X benefício não compensa.

Por fim, enquanto as empresas continuarem exigindo (ou desejando) profissionais certificados em seus processos seletivos… achar que elas não servem para nada, é um descabido mimimi.

Top 1: “ain… o mercado tá cheio de agile coach de palestras e livros”

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Deixei o TOP 1 para um tema que tem ganhado força e a atenção do público em geral nos últimos tempos, tendo sido, inclusive, alvo de posts em redes sociais como o LinkedIn e Facebook. Sorrateiramente, este é um assunto que tem gerado críticas de uns (talvez mais experientes) a outros (talvez menos experientes ou mais teóricos, digamos).

Que é sabido que existem Agile Coachs, Scrum Masters, Enterprise Coachs, Change Agents e por aí vai… que: 1) A experiência mais extravagante se restringe a enfadonhas leituras de manuais “mamãe fez bolo”, importados da Norte América. 2) Nunca colaram um postit na parede ou abriram um issue no Jira (ou similiar) e 3) Nunca facilitaram uma retrospectiva (valendo nota)… ninguém pode negar (lembrei do comercial da Kaiser… eu disse Kaiser, não Kaizen). Não obstante, o que seria dos práticos se não fossem os teóricos? Aliás, quem veio primeiro, a teoria ou a prática?

Sempre que vejo os marketeiros vendendo “realizações” que não foram realizadas, ou que foram realizadas por outrem… lembro-me de que o marketing (político) convenceu, por exemplo, o povo a eleger um marajá — predestinado a “caçar” outros marajás — como presidente da república em 1989… e que este mesmo marketing, tornou a Tekpix a câmera mais vendida do Brasil. Isto me leva a crer que a marketagem funciona. Sempre funcionou. Contudo, precisamos ter clareza; passa despercebido pelo olhar sempre “crítico” daqueles que assistem incomodados, aos shows no picadeiro das redes sociais, que: o mercado, tem prestigiado bastante estas estrelas.

Suas palestras seguem lotadas nos eventos da comunidade, suas agendas abarrotadas e seus livros caminham a passos de corrida para compor o seleto hall de best-sellers da agilidade. E enquanto escrevia este post (e você os criticavam nas redes sociais) mais uma meia dúzia de empresas convidavam as celebridades em tela para ouvi-las contar sobre seus “feitos” heróicos. Assim sendo, não há como encerrar este parágrafo sem recorrer novamente aos meus sempre prestativos botões, e perguntar. Será que as críticas estão sendo endereçadas às pessoas certas? Será que se mudarmos o sujeito das críticas elas não se tornarão mais efetivas? Reflitamos!

Ademais, resmungar que o mercado está cheio de agile coach de garganta, mais prestigiado que você, com toda sua vasta experiência… não passa de um inominável e desqualificado mimimi.

Espero não ter mexido com o pulso de ninguém… afinal, este é só mais um post e eu sou apenas (mais) um rapaz latino-americano.

Saudações. Ψ

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